setembro 03, 2006

Começa de um jeito e termina de outro

Ontem à noite fui num barzinho e lá pelas tantas uma amiga recente, que conheci há pouco mais um ano, me disse:

- Quanto custa para ele parar de cantar?

Ele, no caso, era um carinha encostado no fundo do bar .. o fatídico voz e violão odioso. Pois é. A gente fala que não gosta e as pessoas acham que você está tolindo a descoberta de novas gerações de cantores e cantoras.

Vai pro show de calouros, cacete!

Cantar no meu ouvido enquanto eu estou tentando travar uma conversar com outra pessoa é demais. Mas ok. Eu não sabia que tinha música ao vivo. Foi pegadinha. Eu não quero que o voz-violão seja banido da face da terra, mas pra cima de mim, não.

Daí que lembrei do programa Saia Justa. A discussão era sobre paciência e eu, uma impaciente de carteira, concordei quando Marcia Tiburi disse que a paciência é o nosso jeito de ativar a nossa passividade. Concordo. Mas acho que paciência é acima de tudo controlar o nosso instinto mais brutal. Ou seja, é a nossa capacidade diária de não matar alguém.

Vejam o caso do cara que serrou a empresária. Ele colocou em prática o que nós pensamos todos os dias de várias pessoas. Não fazemos porque não somos malucos o suficientes, claro. O cara, num ato de impaciência absurda, assassinou a empresária e a serrou. Quantas vezes pensei coisas piores.

Por isso, acho que a paciência é o que nos separa dos psicopatas. Esses fazem e/ou verbalizam o que de pior nós sentimos quando no auge da nossa impaciência com tudo resolvemos dar cabo daquilo que nos tira do sério.

Essa história da empresária me deixou chocada. Passei horas pensando na frieza do cara. Absurdo. Que tipo de sociedade produz um ser humano, se é que podemos qualifica-lo assim, como esse? Incrível. Algumas pessoas me disseram que o mundo chegou a um ponto tal que temos isso. Não concordo. Esse tipo de coisa sempre existiu de quando em vez. O mundo sempre foi muito bárbaro. Basta ver as guerras da Idade Média ou até as guerras atuais quando cabeças, troncos e outras "troféus" eram exibidos como forma de amedontramento. O que fizeram com Tiradentes, por exemplo. O cara foi executado. Mas não bastou.

Fato é que esses crimes nos chocam. Ou ao menos me chocam. E a partir dele vou deixar minha passividade cada vez mais ativada porque não se pode confiar em mais nada e mais ninguém. Não quero mais discutir na rua ou afins.

8 comentários:

B. disse...
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B. disse...

Concordo qdo vc diz que esse tipo de crime existiu, mas é que hj nós temos uma velocidade de informação que não tínhamos antes. Com a internet, nós recebemos a noticia minutos depois do acontecido...e noticias do mundo todo!
Isso nos faz ter uma falsa sensação de que as coisas estão piores.
Beijos e boa semana

lagarta listada disse...

e o jack o estripador? pra nem ir muito longe, digo... a sociedade é brutal. e, na verdade, ele é que nem reprime os instintos, não? sei lá, eu acho que doido assim tem em qualquer momento da história. nem tem muito que ver com o resto da violência. é a parte.

Cherry Lips disse...

Psicopatas, honey. Li recentemente uma matéria ótima sobre isso. A gente nem imagina, mas estão em todos os cantos. Obviamente não como imaginamos... Eles não babam, não se descabelam... Meu ex quase se enquadrou em mts quesitos que o definiriam como um. Ufa!!!! Ainda bem que é ex...

Andreh disse...

Naríssima,

Eu até gosto de violão-e-voz, desde que não atrapalhe a socialização das pessoas... :P

Quanto ao crime e castigo, e a questão da paciência... acho que o cerne disso tudo é a nossa capacidade de ainda ficarmos chocados com a violência. Porque eu acredito firmemente que a banalização da violência nos embrutece e torna muito mais difícil a gente ter paciência para com os outros...

Priscila S. disse...

Querida, aonde está o trecho do livro que a faxineira desmarcou? rs
Tbém li e adorei, mas queria saber que parte dele lhe chamou mais a atenção...
Abraços....

Diva disse...

Isso sem pensar nas torturas medievais,que com a inquisição eram comuns...fritar pessoas no óleo quente, queimar vivo na fogueira, puxar até quebrar todos os ossos e coisas assim. Olhando isso acho até que desse tempo pra ca as coisas melhoraram um pouco.

Evelise disse...

Terrível mesmo saber que crimes deste tipo ocorrem, e tão perto de nós. Mas voltando ao carinha cantando no fundo do bar, sinceramente, não é falta de paciência, e sim de sensibilidade para a música. Melhor trocar de bar da próxima vez.