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agosto 14, 2014

Fique bem, Eduardo

Quando eu estudava roteiro, todos os meus professores diziam que nenhuma ficção se compara à realidade. Diante do trágico acidente que matou o candidato à presidente Eduardo Campos, fica para mim mais evidente que nada é tão surpreendente quanto às ironias da vida. Quando a gente percebe o quanto somos impotentes diante dos fatos, fica complicado até seguir adiante, mesmo sendo necessário. 

E é estranho sofrer ou se abalar por alguém que não conhecemos ou sequer vimos um dia. Mas a vida e suas surpresas nos deixa de mãos atadas diante de tanta dramaticidade. Uma reviravolta com requintes de William Shakespeare. Acho impossível que, nem que por um minuto do dia, a gente se pegue refletindo sobre o futuro, o presente, o passado.

Eduardo Campos, claro, não era o Salvador da Pátria que nós, brasileiros, sempre esperamos. Mas surgia como alternativa em um cenário político velho, desgastado. Aqueles olhos azuis profundos, vivos. Eu me sentia muito propensa a acreditar nele e gostar dele. Por isso, quando me dei conta de sua morte senti o sangue fugir, as pernas tremerem. Essa não é a sensação da perda. Mas a sensação de total e absoluta falta de controle do nosso destino. 

Ontem rezei muito por ele e espero que ele fique bem aonde quer que esteja.

abril 24, 2012

Voltei!

Voltei! Meus dias sabáticos acabaram. Foram ótimos enquanto duraram. Dormi muito, não comi muito porque a briga com a balança é interminável. Mas esvaziei a cabeça, o mais importante. Há vida muito além do jardim. A gente se estressa demais, fica muito doido com as pressões do dia a dia e, de repente, no nada a fazer a gente descobre que o ócio pode ser sim muito criativo. Mas de volta ao batente ainda que de forma diferente, graças a Deus, divido meus dias entre livros, textos, muita televisão, filmes e longas caminhadas. E essa frase ficou parecendo uma música da Adriana Calcanhoto.

outubro 31, 2011

Picadinhas

Gente ruim quando se encontra é uma desgraça. Parece até que tem antena. Ficam num grude que dá nojo. Sai de mim!

Falando nisso parti para a loja de umbando e comprei um defumador. Porque esse mal olhado vai ter que sair de mim seja por bem ou por mal. Nem quero saber. Se eu tocar fogo na casa, logo, logo vocês vão saber.

Estou naqueles dias onde você sai de casa achando que o tempo vai ficar de um jeito e que no meio da tarde está sem casaco em meio a um clima londrino. Morar no Rio tem dessas coisas.

It's your age, stupid

Minha tendinopatia aliada a bursite faz do meu pé praticamente um nervo de dente exposto. Não consigo descrever a sensibilidade que estou sentindo nesses dias de chuva. Sinais de decrepitude como disse Bob Carvalho.

As vezes, sério, tenho que me lembrar que tenho quase 40 anos. É triste, mas uma realidade. Ou então foi uma porra de um olho gordo que me jogaram. Porque puta que os pariu todos .. estou caindo como mosca.

fevereiro 13, 2007

Notícias que vão mudar o mundo

Cidade da Sérvia planeja monumento a Rocky Balboa

Um pequeno vilarejo na Sérvia informou que vai construir uma estátua com o personagem Rocky Balboa para acabar com décadas de má sorte.

A idéia da estátua partiu de Bojan Marceta, um morador do vilarejo, quando assistiu ao último filme com o personagem, Rocky Balboa.

"Senti como se Rocky tivesse vindo ao nosso vilarejo, ele teve que lutar para conseguir seu lugar na sociedade", disse Marceta à rádio B92.

Que coisa, hein?

Eu mal acredito que o Stallone tenha lançado essa versão geriátrica do Rocky. O filme de 1976, que é muito bom dentro daquilo que se propõe, se perdeu em sequencias que podemos classificar sem medo de ser feliz de totalmente ridículas. Aquela então que ele luta com o soviético é de chorar.

Rocjey socando carnes no frigorífico traz aquela velha imagem do loser que chega a algum lugar graças ao dom que Deus lhe deu. Se o dele era a força bruta .. voilá. Aos 60 anos, é muita coragem do Stallone voltar ao personagem que o lançou ao estrelato. Digamos que ele anda em linha fina, quase beirando o ridículo. Mas pelo que eu li, o filme não é de todo mal.

Ainda assim, acho feio ele copiar a clássica cena de Rocky subindo as escadas na gelada Philadelphia ... Tenho cá minhas dúvidas ...

Essa história de ver e rever o que já passou me incomoda, sabe?

Uma cena só é clássica pelo seu ineditismo, vanguarda, questionamento e contexto onde se insere. Hoje, tudo parecer bobo, banal. Mas nos 40, nos 50, nos 60, o que realmente fazia a diferença eram outras situações.

Não gosto de revivals, de releituras, de flashbacks e de nostalgias afins. Isso me irrita. Gosto de olhar para a frente.