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março 14, 2007

Praia, a versão definitiva

Aproveitando a viagem proporcionada pelo outro post, fui parar no Mundo Estranho de Robertinha e li - pela visão dela - nosso lúdico domingo de sol na praia de Ipanema. Então .. já que vocês leram a versão dela, lá se vai a minha.

Então, irmão, chegamos à praia no saudável horário de 13h e se daqui a alguns anos eu tiver câncer de pele me mandem a merda. Mas como eu sou espertinha, aluguei barraquinha e lá fiquei. Encontrei uma amiga, conversamos e quando ela foi embora, pegamos a cadeira dela para desespero do barraqueiro.

Amigão .. tipo assim .. as cadeiras não se renovam automaticamente. Compre cadeiras novas porque mais gente anda indo à praia sem cadeira. Ao nosso lado, sentaram um casal de gordinhos munidos de uma sacolinha térmica que mais parecia a bolsa do Gato Félix. Em cinco minutos de praia o cara tirou da bolsa uma caixa de suco Ades, um Ice Tea de 1 litro, uma garrafa de água e uma caixa de suco de uva. Não à tôa o bruto e sua esposa ostentam silhuetas de baleia. E que breguuice é essa de ficar tomando suco na praia .. PQP!

Sem falar que hoje em dia não sei qual é o problema das pessoas em relação a noção de espaço na praia. Elas têm que sentar assim beeeem pertinho para sentir algum tipo de calor humano. Acho péssimo. Minha mãe guarda o antigo hábito de ir à praia onde hoje é o coqueirão e lá as pessoas vivem numa comunhão de espaço que francamente ... não existe no meu mundo. Sem falar que mesmo deitada na canga, esparramada na areia, o vendedor ambulante dá de passar entre você, sua bolsa, quinze cadeiras, três crianças, dois cachorros e uma pessoa. Um saco.

Voltando ao dia de domingo, resolvi alguns problemas do serviço no celular e passei a elocubrar sobre a existência com minha amiga e filósofa Roberta. Roberta, que muito frequenta este apê que habito, me proporcionou grandes momentos de diversão matutina. A cada dia uma história basurda. E como nosso estoque de boas risadas acabou, chegamos a conclusão que andamos levando uma vida chata. Seria a idade ... não sei .. estamos ali, quase 40, mais de 30 ... então chegamos a conclusão que temos que praticar uma vida de desapego. A gente, quando é novo, fica se torturando porque conhece um broto justamente no dia que o pêlo da perna ainda não tá grande para depilar, mas já tá grande pra fazer vergonha. Pois bem .. depois dos 30 vem o desapego e você manda pro bruto .. "amigão, olha .. tô cabeluda .. mas isso é indeferente .. vamos nos concentrar nos membros e órgão superiores .. ou vamos apagar a luz .. ou vamos tomar umas cervejas para que isso se torne assim muito superficial e indiferente ..."

A sinceridade dos 30 é arrebatadora. Talvez porque a sua auto-confiança esteja escalando montanhas, talvez por você já ter dado em estados até piores, talvez porque dane-se o mundo. Sei que aos 30 a gente chega ao momento "é o que tem". Então .. é o que tem .. eu sou assim .. tem barriga, tem celulite, tem perna cabeluda (de vez em quando), e é o que tem. Nada disso apaga os bons momentos que passamos ou passaremos juntos.

E depois de dois baldes de caipirosca, o momento "é o que tem" bate na lua. Saímos da praia rumo ao Bar Lagoa e lá, olhando o azul turquesa do céu, a silhueta do Cristo, tomei aquele chope bem gelado que é quase um orgasmo e vi que a vida é boa. Boa mesmo. E voltamos andando para casa e quando cheguei aqui, apaguei no sofá. E o domingo foi um dia feliz.

Aí .. no telefone, mesmo tossindo, ouvi a seguinte pergunta: "mas você bebeu ... porque ..."

Porque a vida sem álcool é um saco.