abril 24, 2003

Voltando ao cotidiano da vidinha nossa de cada dia, ontem fui almoçar no Braseiro, Baixo Gávea. Ótima farofa. Chegamos lá e pedimos uma mesa para cinco pessoas. "Coloco em nome de quem?", perguntou o garçom. Minha irmã respondeu. "Coloca no nome dela, Nara".

"Tá bom, Dona Nara", rebateu o garçom para ela e não pra mim. Ok. Pedi um chope. Perguntei a todos se queriam chope. "Daniela, quer chope? Irã, quer? Mãe, você quer? E você, Laura?".

Laura tem só 14 anos e (ainda) não bebe.

"Laura não", disse mamãe atenta. Na segunda rodada, o garçom marotinho perguntou. "Mais chope pessoal? E você, Laura, quer?".

Pobrezinha.

Na hora de ir embora ele ainda mandou um "tchau, dona Laura ...".

Esses incríveis garçons pândegos ..

Chato mesmo é você estar lá estacionando seu carro e moleques de rua criados a base de Toddynho, parrudos e bem nutridos, coisa típica de moleque zona sul, fazendo uma singela guerra de pedras portuguesas. Coisa agradabilíssima.

Nem adianta. Não tenho pena.

Ia ver "Carandiru" e me disseram que o filme retrata os marginais como santinhos. Sei que nosso país gera criminosos a cada segundo por sua incrível disparidade social. No entanto, quem sequestra ou estupra não faz isso porque está com fome. Quem é mal, é mal em família rica ou pobre. Que nosso sistema carcerário também não presta, eu sei. Mas não vamos esquecer que os detentos de Carandiru não estavam ali passando o dia. Eram homicidas, assaltantes, estupradores, sequestradores. Não sejamos tão ingênuos e nem imparciais.

Mas vou ver o filme para falar mal com mais propriedade.

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